Melodyne e Studio one: Parte 2 – Algoritmos de Detecção

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Já é sabido que o Melodyne é uma ferramenta poderosa para edição de áudio, portanto, entender seus diversos algoritmos é crucial para aproveitá-la ao máximo. Neste tutorial, exploramos os diferentes algoritmos do Melodyne e como eles podem ser usados para aprimorar suas gravações.


1. O Processo de Detecção no Melodyne

O Melodyne é uma ferramenta revolucionária que transformou a maneira como os produtores e engenheiros de áudio trabalham com gravações. Ao receber um material de áudio, o Melodyne inicia o seu processo de detecção, com algoritmos avançados ele analisa o material de áudio para identificar as notas presentes. Este processo é crucial, pois determina como o áudio é apresentado para edição posterior.

Durante a detecção, Melodyne faz uma avaliação automática (se assim estiver configurado como mostrado na imagem abaixo) do tipo de material de áudio e decide qual algoritmo usar para a exibição e reprodução das notas.

Aqui a ideia é ter sempre a ferramenta te auxiliando e não dificultando o trabalho. Uma dica que dou é: se você sabe que já irá trabalhar com material monofônico como vozes, já deixe configurado o padrão (Default) como Melodic.

É importante observar que, especialmente com material polifônico, o processo de detecção pode não entregar resultados perfeitos devido a qualidade do material gravado, execução e performance da faixa em questão. Uma análise musicalmente correta é essencial para uma edição eficaz e resultados convincentes, portanto, recomenda-se verificar os resultados da detecção e fazer as ajustes necessários para obter a maior precisão durante uma edição.

2. Algoritmo Melódico

O algoritmo melódico do Melodyne é projetado para materiais monofônicos, onde somente uma nota é tocada ou cantada por vez. Esse algoritmo é particularmente sensível à sobreposição de notas, que pode ocorrer devido à reverberação. Portanto, é aconselhável usar gravações o mais limpas e secas possíveis para obter os melhores resultados. No editor, as notas de material melódico são representadas em diferentes alturas, variando conforme a forma como foram tocadas ou cantadas, seja de forma staccato ou legato.

Este algoritmo é especialmente adequado para vocais, por serem naturalmente monofônicos. Em outras palavras, para que exista polifonia, seria necessário ter, no mínimo, dois cantores cantando simultaneamente. Além disso, esse algoritmo tem a capacidade de reconhecer e lidar com os sibilantes, que são sons comuns em vocais. Os sibilantes detectados pelo Melodyne, incluem não só “s” e “ch”, mas também fragmentos de palavras como “k” e “t”, assim como os sons da inalação ou exalação do cantor entre as palavras.

Ainda sobre as sibilâncias, vale lembrar que elas permanecem inalteradas mesmo quando a palavra ou sílaba à qual pertencem é deslocada para cima ou para baixo em tom. Ao editar o timing, você também perceberá que as sibilâncias (indicadas abaixo) nunca são comprimidas ou esticadas de forma artificial.

Essa abordagem inteligente das sibilantes é crucial para obter uma correção de afinação e timing que soe natural.

  • Definição: Especificamente para materiais monofônicos.
  • Dica:Evite ao máximo reverberação em suas gravações.
  • Visualização no Editor: Notas exibidas em diferentes alturas.

3. Algoritmo Percussivo

O Melodyne oferece uma abordagem completa para edição áudio percussivo, disponibilizando dois algoritmos distintos: “Percussive” e “Percussive Pitched”. Ambos são projetados para lidar com uma variedade de sons, desde gravações de bateria e outros instrumentos de percussão até ruídos e efeitos de ambiência.

Algoritmo Percussive: Ideal para materiais nos quais o Melodyne não consegue detectar uma tonalidade clara. Este algoritmo é fundamental para distinguir, por exemplo, loops de bateria (exibindo todos na mesma altura). As notas podem ser ajustadas em altura, mas o eixo vertical mostra apenas valores relativos em semitons, sem nomes de notas, além das funções de escala serem desativadas.

Algoritmo Percussive Pitched: Especificamente desenvolvido para instrumentos percussivos que possuem uma capacidade melódica perceptível. Instrumentos como o berimbau ou certos bumbos da Roland TR-808 (famoso 808), que apesar de seu caráter percussivo, emitem melodias reconhecíveis. Neste algoritmo, os sons detectados são separados e atribuídos a alturas individuais, facilitando a afinação desses instrumentos.

Embora os algoritmos Percussive e Universal sejam semelhantes na maneira como os “blobs” são manipulados e exibidos, e os algoritmos Percussive Pitched e Melodic pareçam similares à primeira vista, os dois algoritmos percussivos operam de maneira diferente internamente. Eles são otimizados para vários aspectos dos sons percussivos e entregam sua qualidade de som mais convincente ao lidar com material de natureza predominantemente percussiva. Para fontes não percussivas, como voz humana, guitarras e pianos, esses algoritmos não apresentarão um resultado satisfatório.

Uma característica em comum do algoritmo “Percussive Pitched” com o algoritmo “Melodic”, é a capacidadede detectar, exibir e permitir a edição de sibilantes. No entanto, com o algoritmo “Melodic”, isso acontece automaticamente, enquanto com o “Percussive Pitched”, o controle de sibilantes é, por padrão, desativado.

Quando se trata de instrumentos que parecem oscilar entre os tipos “percussivo” e “melódico”, a melhor estratégia é experimentar cada algoritmo para encontrar o mais adequado.

  • Aplicação: Para gravações de percussão e efeitos sonoros.
  • Características: Notas exibidas na mesma altura.

4. Algoritmo Polifônico (Sustain/Decay)

O algoritmo polifônico, graças ao Direct Note Access (DNA) do Melodyne, permite detectar e editar notas dentro de gravações de instrumentos polifônicos, como piano ou guitarra. Existem duas versões deste algoritmo: Polyphonic Sustain, que é adequado para uma ampla variedade de materiais polifônicos, e Polyphonic Decay, que é melhor para sinais percussivos com uma tonalidade discernível.

Polyphonic Sustain: Ideal para uma ampla gama de materiais polifônicos onde o início de cada nota não difere significativamente do restante, como em instrumentos de corda tocados de forma legato ou um órgão. Este algoritmo se adapta bem a situações onde as notas fluem de maneira contínua e uniforme.

Polyphonic Decay: Uma variação do algoritmo anterior, projetada para instrumentos ou técnicas de execução onde o início de cada nota é marcadamente diferente do que segue (Iremos estudar Envelope mais a frente). Exemplos incluem instrumentos de corda tocados pizzicato, guitarras e pianos. Este algoritmo é eficaz para materiais onde cada nota tem um ataque distinto e um decaimento rápido.

Esse algoritmo é projetado para instrumentos polifônicos gravados individualmente, pois separa as notas pela tonalidade, não pelo instrumento. Isso significa que, se dois instrumentos diferentes fossem gravados na mesma faixa e tocassem a mesma nota ao mesmo tempo, apareceria um único “blob” representando o som combinado de ambos os instrumentos, em vez de blobs separados para cada instrumento tocando a nota.

  • DNA Direct Note Access: Edita notas dentro de gravações polifônicas.
  • Duas Versões: Sustain para uma ampla gama de materiais, Decay para sinais percussivos.

5. Algoritmo Universal

O algoritmo universal é adequado para sinais complexos contendo elementos percussivos e tonais. Se o objetivo é alterar o pitch, o tempo ou o ritmo de uma peça musical inteira, esse algoritmo oferece a melhor qualidade de som. Além disso, ele consome menos recursos e completa o processo de detecção mais rapidamente, tornando-o uma escolha ideal para gravações de instrumentos individuais que requerem ajustes simples de velocidade, tempo ou transposição.

Minha dica aqui é utilizar esse algoritmo para editar violões e guitarras base, onde é interessante apenas corrigir os transientes da execução.

  • Ideal para: Sinais complexos com elementos percussivos e tonais.
  • Benefícios: Rápido e econômico em recursos.

6. Trocando de Algoritmos

No Melodyne, você tem a flexibilidade de escolher um algoritmo diferente do selecionado automaticamente, caso o material não tenha sido interpretado de forma que atenda às suas necessidades de edição. Para fazer essa mudança, pause a reprodução e selecione o algoritmo desejado no menu Algoritmo. O Melodyne irá reinterpretar o material com base em sua escolha, ajustando a exibição conforme necessário.

Importante: Ao trocar de algoritmo, qualquer edição feita anteriormente na mesma faixa será perdida, incluindo cópias de notas. Portanto, é recomendável decidir qual algoritmo usar antes de começar a edição.

Nota: Alguns materiais de áudio que não possuem componentes tonais suficientes não podem ser detectados pelos algoritmos polifônicos. Nesses casos, se um algoritmo polifônico for escolhido por padrão, o Melodyne iniciará uma nova detecção usando o Algoritmo Percussivo, mais adequado para tais materiais. Após essa detecção, ainda é possível trocar para os algoritmos Universal ou Melódico, se desejado.

7. Exemplos de Aplicações

  • Melodic: Usado para cantos, falas, saxofone, flauta, baixo monofônico, etc.
  • Percussive: Para sons de bateria e percussão ou outros sons percussivos sem componentes tonais significativos.
  • Percussive Pitched: Para sons percussivos com componente tonal, como 808-kicks, toms, tabla.
  • Polyphonic Decay/Sustain: Para pianos, cordas, órgãos, guitarras e outros instrumentos capazes de tocar mais de uma nota por vez, com edição de notas individuais. A escolha entre “Decay” e “Sustain” depende do som ou técnica de execução (por exemplo, pizzicato ou legato em cordas).
  • Universal: Para guitarras rítmicas (funky ou riffs distorcidos) onde apenas é necessário esticar o tempo ou transpor, sem acesso a notas individuais; também para loops com múltiplos instrumentos ou mixes completos que precisam ser esticados no tempo, quantizados ou transpostos.
  • Design Sonoro Experimental: Qualquer algoritmo com configurações extremas, mas principalmente “Polifônico Decay” ou “Polifônico Sustain”.

Espero que este tutorial sobre os algoritmos do Melodyne tenha sido esclarecedor e útil na sua jornada musical. Lembre-se de que este é apenas um passo na vasta e empolgante estrada da produção musical. Há sempre mais para aprender e explorar! Encorajo cada um de vocês a continuarem buscando conhecimento, aprimorando suas habilidades e experimentando novas técnicas. E, claro, estou sempre aqui para ajudar e orientar vocês nesse caminho.

Portanto, não parem por aqui. Visitem regularmente nosso blog para mais tutoriais, dicas e insights sobre produção musical. Sejam quais forem suas dúvidas ou necessidades, nosso objetivo é oferecer conteúdo que ajude vocês a crescerem como produtores musicais. Então, fiquem atentos aos próximos posts, participem da nossa comunidade e compartilhem suas experiências e aprendizados.


Nota do Autor

Caros leitores,

Ao percorrerem este tutorial, vocês podem ter notado a inclusão de diversos termos técnicos em inglês. Esta escolha foi intencional e reflete uma realidade importante no mundo da produção musical: a maioria dos materiais de referência, tutoriais avançados e discussões especializadas estão disponíveis primariamente em inglês. A familiaridade com a terminologia técnica em inglês é, portanto, mais do que uma habilidade linguística; é uma ferramenta essencial para acessar um vasto leque de conhecimentos e recursos na área.

O objetivo deste tutorial vai além de simplesmente explicar os algoritmos do Melodyne. Ele visa também prepará-los para navegar com confiança no cenário global da produção musical. Ao se habituarem com os termos em inglês, vocês ganham não só compreensão, mas também acesso direto a uma infinidade de informações e oportunidades de aprendizado. Isso é fundamental para expandir suas habilidades e abrir novas possibilidades na sua jornada como produtores musicais.

Atenciosamente,

Vitor Maioli Scardua

Palavras-chave: Melodyne, Edição de Áudio, Algoritmos de Áudio, Produção Musical, Técnicas de Edição, Tutorial Melodyne, Polifônico, Monofônico, Percussivo, DNA Direct Note Access.

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